Domingo, Março 9
Sábado, Março 8
Sexta-feira, Março 7
Musicalidades
The monkey on you're back is the latest trend
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
I will find my nitch in your car
With my mp3 DVD rumple-packed guitar
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du
Up up down down left right left right B A start
Just because we use cheats doesn't mean we're not smart
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
You are always trying to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
We both have shiny happy fits of rage
You want more fans, I want more stage
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Don Quixote was a steel driving man
My name is Adam I'm your biggest fan
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Squinched up your face and did a dance
You shook a little turd out of the bottom of your pants
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du
But you
Quarta-feira, Março 5
Na 1ª Pessoa
Como é que os momentos que pensámos marcantes e inesquecíveis desaparecem? Fico a pensar se era minha a ilusão da sua importância ou se, inconscientemente, os apagamos de forma permanente e irreversível para diminuir, conscientemente, a importância que realmente tiveram.
Terça-feira, Março 4
Puro Plágio

- Sai isto, sai aquilo
e das senhoras velhas, muito pintadas, que ocupam sempre o mesmo lugar, cheias de anéis nos dedos gordos. Não têm corpo, têm sucessões de pregas. Brincos que cintilam. Colares exagerados. E olhos graduados como réguas a medirem quem entra, de pestanas que parecem antenas. De vez em quando uma delas parte uma perna e encosta ao lado da cadeira canadianas majestosas. Pela abertura do gesso as unhas escarlates medem-nos também. De tempos a tempos folheiam revistas sobre divórcios de actores de telenovelas e outras criaturas correlativas, comentam, têm opiniões. Palavra de honra que faz impressão unhas escarlates a espiarem do gesso, cinco unhas de tamanho decrescente como elefantes alinhados numa prateleira: nas retrosarias não são caros. A seguir ao almoço, ao chegar aqui, o telefone tocava: uma voz feminina à procura do meu primo. Disse-lhe que não o tinha visto. Perguntou como podia encontrá-lo. Respondi que não sabia e sugeri-lhe que abrisse a janela e gritasse o nome dele. Podia ser que a ouvissem, Lisboa não é assim tão grande. Ficou a duvidar de mim, chegou ao ponto de insinuar que eu não falava a sério. Depois reflectiu melhor e concordou em experimentar. Se experimentou, pela minha parte não ouvi nada. Pode dar-se o caso de morar longe e assim sendo é provável que em Sintra ou na Amadora a hajam escutado. Isto se a não levaram para o hospital psiquiátrico ao segundo berro.
Quando eu era pequeno, em Benfica, havia mães que chamavam os filhos dessa forma, ao fim da tarde. Aposto que até os bichos no Jardim Zoológico se arrepiavam todos, hienas incluídas. Mas essas são fáceis de arrepiar, andam sempre de pêlo levantado nos documentários da televisão.
Antes de começar a pensar no livro, ou seja na morte da bezerra, liguei a um camarada meu: o almoço é para a semana. Interessou-se sobre como é que eu estava, eu que nunca sei como estou e sou incapaz de responder
- Vamos andando
sobretudo quando estou sentado
- Como estás?
é uma bela questão. Normalmente respondo
- Sei lá
porque não gosto de mentir. E sei lá de facto. Umas vezes estou redondo, outras quadrado, outras cheio de picos, outras liquefeito, outras não estou sequer: deslizo por aí armado em nuvem.
- Como estás?
e é impossível responder
- Deslizo por aí armado em nuvem
de modo que me calo ou resmungo sons desconexos. Não sou de todo mau em sons desconexos, tenho anos de treino. Escrevo isto e sinto as almôndegas a conversarem comigo: despenharam-se-me na barriga feitas pedregulhos, rebolam cá por dentro num fundo de puré, meio dissolvido pelo vinho branco: é o que acontece a quem se mete com minipratos. Devia ter pedido bicos de rouxinol. Ou ter acertado no dia do almoço com os meus camaradas de guerra a lembrar os maus velhos tempos
- Sai uma de bicos de rouxinol para a mesa doze
e a cozinheira lá dentro a prepará-los.
Se me interrogarem
- Como estás?
explico que não estou redondo nem quadrado. Neste momento acho-me mais uma espécie de losango.
- Estou losango
quem interroga a olhar para mim sem entender:
- Losango?
e eu
- Sim, losango, nunca te sentiste losango?
Nunca se devem ter sentido losangos. Há alturas em que me acontece pensar que as pessoas são esquisitas mas deve ser problema meu. Aposto o que quiserem que é problema meu.
De 0 a 20: - Sim, losango, nunca te sentiste losango?




