Segunda-feira, Outubro 31

Momentos


Fly me to the moon...
De 0 a 20: Para ti *.

Domingo, Outubro 30

Musicalidades

Hoy es un día normal pero yo voy a hacerlo intenso
Hoy puede apagarse el sol pero no la luz de mi alma

En un día como hoy caminaré más despacio
En un día como hoy defenderé mi verdad
En un día como hoy te amarraré con mis brazos
En un día como hoy
Porque nunca sabes lo que tienes hasta que lo pierdes
Y lamentablemente nunca vuelve

No importa en donde estes yo desde aquí te besaré en mis sueños
Mi sangre arderá por ti hasta que se pierda por tu cuerpo

En un día como hoy caminaré más despacio
En un día como hoy defenderé mi verdad
En un día como hoy te amarraré con mis brazos
En un día como hoy
Porque nunca sabes lo que tienes hasta que lo pierdes
Y lamentablemente nunca vuelve

Juanes

De 0 a 20: Hoje como noutro dia qualquer.

Sábado, Outubro 29

Mais que mil palavras...


Conselho

Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.

Faze canteiros como os que os outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar
.Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém,
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.

Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...

Fernando Pessoa

De 0 a 20: Bom conselho...

Sexta-feira, Outubro 28

Na 1ª Pessoa

Alguém me sabe dar uma (boa) razão para este blog não ter um The End?

De 0 a 20: Não consigo encontrar...

Quinta-feira, Outubro 27

Momentos


Perto de onde se ouvem as ondas azuis do céu
Acho que perdi
Qualquer coisa de muito valor.

Numa estação nitidamente do passado
Em frente do funcionário dos perdidos e achados
Senti-me ainda mais triste.

Tanikawa Shuntaro (Japão)

É engraçado como tanto tempo depois, há sentimentos que nos invadem da mesma maneira, com a mesma intensidade, deixando-nos este vazio cá dentro.

De 0 a 20: Engraçado como ainda não sei porquê...

Quarta-feira, Outubro 26

Ensaios

É nestes dias de chuva que me apetece sair sem saber para onde.
Calço umas botas, visto um casaco quente, encontro o guarda-chuva e saio de casa.
Ando sem pensar onde vou, sem pensar nas horas, sem pensar no que deixei por fazer. Saio sem pensar. Saio para não pensar.
De vez em quando dou por mim onde menos espero: numa escola antiga, numa ruela abandonada, num bairro escondido, numa casa que já foi minha, num café antiquado, numa loja esquisita, num jardim mal frequentado, num sítio qualquer, longe do mundo.
O mais difícil é sempre ganahr coragem para voltar.
E quando finalmente tomo essa decisão, chego a casa, abro o chapéu para secar, tiro as botas para não molhar nada, preparo-me para um duche e encontro-te. Com esse teu sorriso que me aquece por dentro, de avental vestido a preparar o nosso jantar, a cheirar ao fumo da lareira acesa.
É nestes dias de chuva que me apetece chegar a casa e saber que estás lá.

De 0 a 20: Melancolias sazonais.

Terça-feira, Outubro 25

Mais que mil palavras...


De 0 a 20: Morde! :)

Segunda-feira, Outubro 24

Momentos


Estive em limpezas. PROFUNDAS!

De 0 a 20: Até me sinto mais leve...

Domingo, Outubro 23

Mais que mil palavras...


De 0 a 20: Não é simplesmente LINDO?

Sábado, Outubro 22

Puro Plágio

Sim, sei bem
Que nunca serei alguém.
Sei de sobra
Que nunca terei uma obra.
Sei, enfim,
Que nunca saberei de mim.
Sim, mas agora,
Enquanto dura esta hora,
Este luar, estes ramos,
Esta paz em que estamos,
Deixem-me crer
O que nunca poderei ser.

Fernando Pessoa

De 0 a 20: Eu acredito.

Sexta-feira, Outubro 21

Puro Plágio

Sempre tive a sensação de pertencer a outro lugar. Estranhava as palavras com que me falavam e achava esquisito as pessoas não ouvirem o que eu ouvia. Na escola, no liceu, na faculdade, a sensação de não ser daqui inquietava-me. Aprendi uma maneira de me comportar que não era minha, um idioma que não coincidia com o meu, emoções que me não provocavam qualquer eco interior. No fundo da minha alma estava de visita e cabia-me, por necessidade e educação, adoptar os hábitos nativos, que se me afiguravam complicados e inúteis. Ainda hoje me surpreende as pessoas julgarem que não tenho sotaque e não é à língua que me refiro, é a tudo o resto.

De 0 a 20: António Lobo Antunes.

Quinta-feira, Outubro 20

Momentos


Hoje respiro fundo.

De 0 a 20: Orgulhosa, feliz e babada.

Quarta-feira, Outubro 19

Na 1ª Pessoa

Interrogo-me se o sadismo é inerente ao ser humano.
Hoje percebi que consigo exorcizar a minha dor infligindo-te uma semelhante.
Ao ver-te sofrer pelo exacto mesmo motivo que eu, reflicto na validade do meu sofrimento: equaciono melhor as variáveis, uso uma abordagem diferente, tento perspectivar as coisas de outro modo.
E, não sei se por te sentir tenso ou por te ver momentaneamente mais triste, e por te querer relaxado perto de mim a sorrir como só tu o consegues fazer, a minha dor transforma-se. Surge finalmente aquele comentário descontraído, aquele sorriso cúmplice, aquela confiança restabelecida. E surge de novo aquela alegria transbordante que andava à procura, desde aquele dia.
De 0 a 20: Estou feliz.

Terça-feira, Outubro 18

Na 1ª Pessoa


A minha decisão está (finalmente) tomada.

De 0 a 20: Custou...

Segunda-feira, Outubro 17

Momentos


De 0 a 20: Viagens inesperadas!

Domingo, Outubro 16

Puro Plágio

Eu entrei na arte para fugir da vida, como também poderia dizer, disse ele. Evadi-me para a arte, disse ele. Aguardei o momento mais favorável e aproveitei esse momento e evadi-me do mundo para a arte, para a música, disse ele. Como outros se evadem para as chamadas artes plásticas, para a arte dramática, disse ele. Essas pessoas, que afinal são, como eu, gente que de facto odeia o mundo, evadem-se de um momento para o outro do mundo odiado para a arte, que fica por completo fora desse mundo odiado. Eu evadi-me para a música, disse ele, no maior segredo. Porque tive possibilidade de o fazer, ao passo que a maior parte das pessoas não tem esta possibilidade.

Thomas Bernhard

De 0 a 20: Para onde foges tu?

Sábado, Outubro 15

Momentos

Weeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

De 0 a 20: Este blog está a precisar de transbordar FELICIDADE!

Sexta-feira, Outubro 14

Na 1ª Pessoa...


Há quem tenha um sótão abandonado, um baú grande, um armário velho. Eu tenho uma cave.
Nunca lá vou a não ser quando é mesmo necessário. Não sei porquê tenho uma dificuldade enorme em olhar para as minhas coisas antigas, que ficaram para trás, para os reflexos do meu passado.
Hoje precisei de lá ir. Ponderei, respirei fundo e segui. E dei por mim a sorrir ao recordar momentos antigos, escondidos em caixas, gavetas, fotografias e lembrar sorrisos, alegrias e tristezas, junto de familiares, amigos ou simples desconhecidos.
Voltei e vinha renascida.

De 0 a 20: Porque não consigo ir à tua cave?

Quinta-feira, Outubro 13

Mais que mil palavras...

De 0 a 20: Começou a andar... (Obrigada, Paixão.)

Quarta-feira, Outubro 12

Psicopatologia Compreensiva

Entendendo as neuroses
C - Classificação das Neuroses
Reconhecer que o indivíduo é um neurótico implica numa visão conceitual, estatística e valorativa, onde o relacionamento sujeito-objecto (pessoa-mundo) está prejudicado e o observador, quase intuitivamente, percebe esta não-normalidade sem muita dificuldade. Classificar este tipo de relacionamento neurótico, entretanto, exige uma atitude clínica criteriosa.
A tendência classificatória actual é de especificar minuciosamente cada expressão sintomática, proporcionando uma visão mais abrangente de estados mórbido básicos. Vejamos a questão da ansiedade, por exemplo, considerada uma ocorrência psíquica universalmente experimentada pelos seres humanos. Do ponto de vista clínico e psicopatológico, não interessa muito saber se o indivíduo experimenta ansiedade ou não mas interessa, sobretudo, o que ele faz exactamente com a sua ansiedade, ou seja, se ele apresenta sintomas de pânico, se o seu distúrbio é fóbico, generalizado, somatizado e assim por diante. Enfim, a antiga vacuidade associada à expressão ANSIEDADE é substituída hoje por uma maior especificidade de estados produtores de sofrimento associados a ela.
O conceito de neurose, apesar da substituição desejável deste termo por Transtorno e apesar da complexa classificação actual, deve permanecer solidamente alicerçada em conhecimentos psicopatológicos tradicionais, de forma a fornecer a base de entendimento necessária para todos eventuais avanços de classificação futuros.
A classificação dos Transtornos Neuróticos é a seguinte:
- Transtornos Neuróticos, Transtornos Relacionados com o Estresse e Transtornos Somatoformes
- Transtornos Fóbico-Ansiosos
- Outros Transtornos Ansiosos
- Transtorno Obsessivo-Compulsivo
- Reações ao Stresse Grave e Transtornos de Adaptação
- Transtornos Dissociativos [de Conversão]
- Transtornos Somatoformes
- Outros Transtornos Neuróticos
De 0 a 20: Último! (Sim, estou um pouco neurótica...)

Terça-feira, Outubro 11

Momentos


Padeço de digestões difíceis, lentas, agonizantes. Um caso complicado...

De 0 a 20: Porque continuo eu a insistir nos erros alimentares?...

Segunda-feira, Outubro 10

Na 1ª Pessoa

Ainda que por acaso de Vitor MM Costa
Há momentos de impasse, de indecisão, de dúvida.
Tentamos pesar os prós e os contras, equilibrar os pratos da balança, ver o verso e o reverso da medalha.
Porque é que por vezes somos capazes de ver claramente o que ganhamos e perdemos com a nossa decisão? Será que isso não deveria ajudar a tomá-la?
Descobri que não. Torna apenas a nossa opção um acto de enorme responsabilidade, de comprometimento. Um passo decisivo num qualquer momento da nossa vida. E a plena consciência de tal.
Tenho medo de me mexer, porque posso tomar a decisão errada, o rumo errado, a direcção errada.
Queria voltar ao passado, onde só perguntava: «Mamã, dá licença? Quantos passos quer que eu dê?».

I was so lost in my pain, fear was melting my brain,
I was counting the days to insanity, I was afraid to move myself
Afraid to hurt myself, more than I had until that day
Everything I believed in, everything I fought for
Was now underneath my feet and my heart beat
Was so gone, couldn't be felt by anyone
So alone it gave me the creeps
My drugs got me in bed went up to my head
And I really don't wanna depend

De 0 a 20: Estou perdida.

Domingo, Outubro 9

Na 1ª Pessoa


Estou sem inspiração...

De 0 a 20: Por tua causa?

Sábado, Outubro 8

Mais que mil palavras...

De 0 a 20: Onde desligo?

Sexta-feira, Outubro 7

Momentos


Onde é que acaba uma conversa e começa uma discussão?

De 0 a 20: Não sei.

Quinta-feira, Outubro 6

Spot Publicitário


Isto é viciante.

De 0 a 20: Post Secret.

Quarta-feira, Outubro 5

Psicopatologia Compreensiva



Entendendo as neuroses

B - Personalidade Neurótica
O indivíduo, aqui e agora, do jeito em que ele se encontra e com esta determinada disposição para com a sua vida, só pode ser compreendido como uma resultância daquilo que ele trouxe para a vida, através de sua natureza constitucional, com aquilo que a vida trouxe para ele, através de seu destino existencial. Entender a Personalidade Neurótica implica, antes, no entendimento da Personalidade como um todo, normal ou alterada, apta a responder harmonicamente à vida ou claudicar por dificuldades imanentes ao seu modo de ser.
Podemos dizer que o indivíduo possui uma Personalidade Neurótica quando ele reage neuroticamente diante dos eventos de uma forma habitual e isto passa a caracterizar sua maneira de existir. Podemos dizer ainda que é neurótico quando sucumbe cronicamente diante de seus conflitos, sucumbe não apenas aos conflitos actuais mas, também e sobretudo, aos conflitos remanescentes do passado. Podemos ainda arriscar a considerar neurótico quando suas pulsões inconscientes dominam suas atitudes conscientes, quando constatamos uma falha crônica em seus mecanismos de defesa, enfim, quando sua adaptação emocional à vida é constantemente problemática.
Sempre que as Reações Vivenciais Anormais ou os Distúrbios Adaptativos, ou ainda e também sinônimo, as Reações de Ajustamento não são acontecimentos fortuitos e ocasionais, mas constituem uma maneira perene e constante de relacionar-se com a realidade, estamos diante de uma Personalidade Neurótica.
Arguir a Personalidade deve ser uma atitude que, primeiramente, leva em conta a circunstância cultural, temporal e até existencial na qual o indivíduo está inserido. Tal cuidado remete-nos, novamente, às ideias de Tonalidade Afectiva de Base e de Representação Interna da Realidade; a primeira como sendo as lentes através das quais a realidade chega ao interior do ser e, a segunda, o que esta realidade representa para o ser. A Personalidade Neurótica percebe a realidade com olhos míopes, ou mais míopes que o aceitável pelo sistema cultural vigente, e faz representar internamente uma realidade capaz de produzir algum sofrimento.
Em relação à Angústia Existencial, por exemplo, podemos metaforizar dizendo que sua ocorrência universal no homem moderno representa o meio grau de miopia aceitável pelo sistema. Ultrapassando esse meio grau de miopia a pessoa será, no caso de se observarem os efeitos mórbidos e conhecidos do excesso de miopia (ou da ansiedade excessiva, como vínhamos fazendo a analogia), além de não-normal, também doente. Aquém deste meio grau o indivíduo se encontrará também na posição de não-normal, mas não havendo dificuldade adaptativa não haverá morbidade, não haverá doença.
Aliás, a comparação didática da miopia com a neurose parece ser muito boa. Podemos ainda comparar elementos quantitativos: à partir de quantos graus a miopia inviabiliza nossa mobilidade sócio-ocupacional seria o mesmo que perguntar à partir de que quantidade de sintomas neuróticos se inviabiliza nossa boa vida? A Angústia Existencial, aos discretos comportamentos histeriformes de nosso cotidiano, aos sentimentos depressivos nascidos do modo de vida moderno, às pequenas obsessões e fobias que todos guardamos em segredo, isso tudo poderia representar nossa miopia emocional. Dependendo da quantidade dos sintomas podemos ser diferentes dos demais mas ainda sem sofrimento, ou seja, sem a condição de morbidez necessária para considerar a doença franca.
A grande polémica entre as diversas tendências da psicologia, da psiquiatria e da psicopatologia diz respeito à etiologia desta miopia existencial ou emocional. Nós sabemos, por exemplo, que a introdução de adrenalina no organismo resulta sempre num estado de franca ansiedade, da mesma forma como a cocaína, sabidamente uma droga capaz de aumentar a concentração de neurotransmissores (dopamina) na fenda sináptica, produz um estado afetivo euforizante. Há um sem número de condições bioquímicas igualmente demonstrativas do relacionamento entre a neurofisiologia e os estados afetivos e que serviram de sustentação para uma maior compreensão dos efeitos das drogas psicotrópicas utilizadas hoje em dia. Por outro lado também, sabemos que a ansiedade produzida por uma situação de franca emergência resulta num imediato aumento dos níveis de adrenalina no sangue e de endorfinas no Sistema Nervoso Central, o que nos coloca diante do problema do ovo e da galinha: qual acontece primeiro?
Em relação à Personalidade Neurótica, bem como na atividade emocional global do ser humano, o bom senso recomenda que a disposição peculiar do indivíduo em relacionar-se com o mundo objectual não deve ser considerada exclusivamente um produto dos eventos sinápticos, nem tampouco um produto exclusivo da história de vida.
De 0 a 20: Parte 3.

Terça-feira, Outubro 4

Grandes Máximas


"Estar vivo é o contrário de estar morto."

Lili Caneças (gd tirada...!)
De 0 a 20: Estás vivo?

Segunda-feira, Outubro 3

Momentos


De 0 a 20: Azares...

Domingo, Outubro 2

Puro Plágio


Eclipse anular do Sol é amanhã

Amanhã, quando faltarem cinco minutos para as 10.00, começa a fase mais intensa do primeiro eclipse solar do século XXI visível em Portugal. A ocultação do Sol pela Lua será parcial na maior parte do território, mas quem estiver numa faixa de 138 km de largura, que engloba as regiões do Minho, Douro e Trás-os-Montes, lá bem para o Norte, terá o privilégio raro de contemplar um eclipse anular do Sol. Ou seja, na fase máxima do eclipse (que dura cinco minutos) restará do Sol apenas um fino anel de luz, em torno da sombra negra da Lua.
O fenómeno, que promete ser espectacular na privilegiada faixa de sombra quase total, inicia-se bem cedo, pelas 08.38, atinge a sua fase máxima às 09.55 e desfaz-se completamente quando forem 11.18.
Muitos entusiastas destes fenómenos astronómicos já seguiram, ou seguem hoje, viagem para aquelas paragens nortenhas e grupos de astrónomos e divulgadores estão a preparar sessões de observação em Bragança e noutras localidades.
A raridade e, certamente, a beleza do acontecimento justificam esta deslocação. O último eclipse anular em Portugal aconteceu em 1984, a 30 de Maio, mas nessa altura só os Açores tiveram a sorte de observar o espectáculo da ocultação quase total do Sol. No território continental, a última vez que isso aconteceu já foi há quase cem anos, em 17 de Abril de 1912. Dessa vez calhou à região de Ovar uma das melhores localizações para a sua observação.
Nessa época, estes fenómenos ainda eram importantes para a ciência, já que os cálculos astronómicos careciam da precisão que hoje os caracteriza. Nesse ano de 1912, os astrónomos não podiam prever, por exemplo, se o eclipse seria total ou anular, e em qualquer dos casos, não sabiam onde isso iria acontecer exactamente.
Essa dupla incerteza acabaria por dar origem a várias missões de observação em Portugal de astrónomos estrangeiros e portugueses. Quase cem anos depois, não há incertezas quanto ao fenómeno. Os astrónomos profissionais e amadores, e os caçadores de eclipses, esperam sobretudo que a meteorologia ajude e que o céu não esteja encoberto amanhã, à hora certa.
Fora da faixa contemplada pela anularidade, o eclipse será visto como parcial em todo o território nacional - o último eclipse parcial observado em Portugal aconteceu a 11 de Agosto de 1999.
Os eclipses solares ocorrem quando o Sol, a Lua e a Terra se encontram alinhados, com a Lua entre a Terra e o Sol. Uma feliz coincidência entre a dimensão do satélite natural da Terra e a distância a que se encontra o Sol joga aqui um papel curioso. O Sol, com um diâmetro 400 vezes maior do que o da Lua, fica também 400 vezes mais distante da Terra do que o satélite terrestre. Por isso, os diâmetros aparentes de ambos, observados daqui, são aproximados, e quando a Lua se interpõe entre ambos consegue ocultar o Sol aos olhos terrestres, embora isso só aconteça para uma porção estreita do planeta. Quando a Lua, na sua órbita, está no ponto mais afastado da Terra, o disco lunar, com um tamanho ligeiramente menor, não consegue ocultar completamente o Sol, "sobrando" então o tal anel.
Numa zona de visibilidade de um eclipse total, na fase máxima do fenómeno, a Lua sobrepõe-se completamente ao disco solar e, por isso, a escuridão torna-se intensa, ao ponto de algumas estrelas se tornarem visíveis. A temperatura também desce e os animais ficam perturbados, manifestando-se ruidosamente. Num eclipse anular, como o que vai ocorrer amanhã no Norte do País, não é assim, porque resta sempre uma coroa de luz a rodear a sombra negra da Lua - como um anel.
"Não esperamos que a temperatura desça ao ponto de isso se notar, porque o eclipse acontece pouco depois de o Sol nascer", explica o astrónomo Máximo Ferreira, que orientará em Bragança sessões de observação do eclipse. "A diminuição de luz deverá ser idêntica à do momento que antecede a aurora, mas com esse efeito a espalhar-se por todo o céu, e contamos que Vénus, porque é muito brilhante, fique visível. Júpiter já será mais difícil de ver e o aparecimento de estrelas é pouco provável", prevê.

Filomena Naves

De 0 a 20: Eu estou lá!

Sábado, Outubro 1

Mais que mil palavras...

De 0 a 20: À descoberta...