Na 1ª Pessoa

Recebi este e-mail hoje e de repente fez todo o sentido... Obrigada.
Tudo é ilusão. Sonhar é sabê-lo.






Soube que estava apaixonada quando me descobri a sorrir enquanto te observava a dormir.
Adormecemos como tantas outras vezes, abraçados no sofá da sala, com a televisão ligada a servir de embalo. Acordei assustada com o ruído do vento na janela. Serenei e tentei voltar ao sonho que tinha deixado a meio. Sentia-me bem nos teus braços, que ainda me envolviam. O calor do teu corpo acalmava-me mas o teu cheiro tinha o efeito oposto. Desprendi-me do teu abraço e fiquei a olhar-te, orgulhosa por te saber meu. Não tive coragem para te acordar e fiquei assim até a manhã surgir.

Parecemos tão livres - e estamos tão encadeados...
Robert Browning

Espanholar, v., Dar feição de espanhol a; Fazer ou dizer à maneira de espanhol.
Espanholice, s.f., Propensão, gosto pelo que é espanhol; Espanholismo.
Espanholismo, s.m., Afeição à Espanha; Costume espanhol; Palavra ou locução própria de espanhóis; Castelhanismo.

O homem mais sábio que alguma vez conheci, Fermín Romero de Torres, tinha-me explicado numa ocasião que não existe na vida experiência comparável com a da primeira vez que se despe uma mulher. Sábio como era, não me tinha mentido, mas tão-pouco me contara toda a verdade. Nada me tinha dito daquele estranho tremelique das mãos que convertia cada botão, cada fecho-éclair, em tarefa de titãs. Nada me tinha dito daquele feitiço de pele pálida e trémula, daquele primeiro roçagar de lábios nem daquela miragem que parecia arder em cada poro da pele. Nada me contara de tudo aquilo porque sabia que o milagre só sucedia uma vez e que, ao suceder, falava uma língua de segredos que, mal se desvendavam, fugiam para sempre. mil vezes quis recuperar aquela primeira tarde no casarão da Avenida del Tibidabo com Bea em que o rumor da chuva arrebatou o mundo. Mil vezes quis regressar e perder-me numa recordação da qual apenas consigo recuperar uma imagem roubada ao calor das chamas. Bea, nua e reluzente de chuva, deitada junto ao fogo, aberta num olhar que me perseguiu desde então. Inclinei-me sobre ela e percorri a pele do seu ventre com a ponta dos dedos. Bea deixou descair as pálpebras, os olhos, e sorriu-me, segura e forte.
- Faz-me o que quiseres - sussurrou.
Tinha dezassete anos e a vida nos lábios.


Rosa
Hoje o céu está mais azul,
Eu sinto
Fecho os olhos, mesmo assim
Eu sinto
O meu corpo estremecer
Não consigo adormecer
Ah, nem o tempo vai chegar
P’ra dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim
É uma espécie de dor
Hoje o céu está mais azul
Eu sinto
Olho à volta mesmo assim
Eu sinto
Que este amor vai acabar
E a saudade vai voltar
Ah, nem o tempo vai chegar
P’ra dizer o quanto eu sinto
Você longe de mim
É uma espécie de dor
Já não sei o que esperar
Dessa vida fugidia
Não sei como explicar
Mas é mesmo assim o amor.
Música: Rodrigo Leão e Ryuichi Sakamoto
Letra: Ana Carolina





Aiiiiiiiiiiiiiiii
Que horas são?
11 e meia.
Oh... Leva-me contigo!
P'ra onde?
P'ra dançar na praia.
Só contigo?
Simmm. Comigo. Dançar na praia, rolar no chão.
Rolar no chão?!
Simmm, rolar no chão, dançar na praia.
Ohhh...
Oh... Leva-me contigo!
P'ra onde?
P'ra dançar na praia.
Ohhhhhhhhhhhh
Oh... Leva-me contigo!
P'ra dançar na praia.



Alta Segurança
Bo leva pra julgamento
Pa tribunal de sentimento
Nha coraçon condenado
A prisão perpétua
Se sabe quale foi
Crime que cometi
Bo trata pa criminoso
Pa modo di cre bu cheu
Imagina será olho
Isolar nha amor
Na prisão de alta segurança
Refrão
Fica preso na bu lábios
Vidrado na bu andar
Mas escravo de bu olhar
E di bu maneira
Bo leva pra julgamento
Pa tribunal de sentimento
Nha coraçon condenado
A prisão perpétua
Se sabe quale foi
Crime que cometi
Bo trata pa criminoso
Pa modo di cre bu cheu
Sentença foi pesado
Bo condena a fica
Preso na bu corpo
Pa eternidade
Ma na alta segurança
Poe amor
Sem puder se afugar
Refrão
Justicia foi injusto
Pra nós
E justamente
Apresentar nha pessoa
Como eu
Inocentemente...
injustamente...
Justicia foi injusto
Pra nós
E justamente
Apresentar
Nha pessoa como eu
Inocentemente e culpado
Falei de amor
Oh justicia foi injusto
Refrão
Philipe Monteiro


Há mil coisas (o meu exagero não é assim tão exagerado...) que me fazem feliz. E às vezes passam-me ao lado. Hoje não.
A lembrança do cheiro do mar (e a surpresa de o recordar), as guitarradas à viola (dança comigo...), os imprevistos da vida (nem sempre desagradáveis), o encontro de surpresa da grandes e crecentes amizades (e as confissões partilhadas), a descoberta de novos horizontes (e o desejo de ir sempre mais além), as horas que passam a correr (e nós sem perceber), o regressar a um grupo querido (e as lembranças de velhos tempos), um abraço quente (e tu para o dar), as incertezas do futuro (e o gozo que isso dá).
Resumindo: um dia bom. Sem dúvida...
De 0 a 20: Estou em total sintonia. Com a vida. A minha.


Sobral Cid (1877-1941), Professor de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Lisboa, foi sem dúvida o mais ilustre psiquiatra do seu tempo, pela sua intuição psicológica, pelo seu espírito de observação e pela sua erudição. (...)
Apesar da sua dívida para com Bleuler, Sobral Cid afasta-se da concepção do professor suiço quando afirma que «o mais poderoso, senão o único agente da falsificação delirante do mundo real é a afectividade» (e não, por exemplo, a rotura dos laços associativos, como propõe Bleuler). Para ele «no âmago do sistema delirante, qualquer que ele seja, há sempre o receio de perder um bem que se possui, ou o desejo de alcançar um bem que se ambiciona» (logo há sempre temor ou aspiração ligados ao desejo).
Os afectos não só intervêm sobre a génese das condutas e dos actos, mas têm resultados ao nível da elaboração intelectual. «A lógica torna-se então a serva, senão a escrava dos afectos», levando à «falsificação dos dados da experiência». «Sempre que a lógica se encontre em conflito com as exigências da afectividade é esta última que acaba por triunfar».
PL


And I'd give up forever to touch you 'cause I know that you feel me somehow...
De 0 a 20: Muito bom. Muito muito muito.