Segunda-feira, Fevereiro 28

Ensaios

Não sei se é do frio, mas aconchego melhor o cachecol e afundo o chapéu na cabeça. As tuas últimas palavras martelam ainda os meus ouvidos. E este vento não ajuda, sinto-o a passar por entre os espaços minúsculos deixados pela lã da camisola. Porque me deste uma reposta tão honestamente cruel? Olho para cima, é possível que ainda chova hoje. Acho que nunca deveria ter feito a pergunta, assim nunca ouviria a resposta. Penso no casaco que ficou esquecido no carro e de como fui insensata em sair sem o guarda-chuva. Há muito que sabia que ias dar essa resposta, mas queria ouvi-la de ti. Sinto-me tiritar, sinto-me gelada e prestes a entrar em qualquer lado só para me aquecer. Imaginei tantas vezes este momento e nunca o imaginei assim. Entro num café, sento-me e peço uma meia-de-leite bem quente. Afinal não sei o que aconteceu, foi tudo tão inesperado, e aconteceu. Bebo o leite rápido e sinto-me finalmente a aquecer. Fico parada a olhar as pessoas a fugir da chuva que começa a cair, admiro-me com os meus olhos húmidos e ouço repetidamente o teu "Não".

De 0 a 20: Não não não não não não não...

Domingo, Fevereiro 27

Na 1ª Pessoa

Descobri que gosto de borboletas. Sempre pensei que não. Não sei bem porquê...
Quando era pequenina e andava na creche, o meu cabide e o meu lugar eram marcados por uma borboleta pequenina que ajudei a pintar (com 2 ou 3 anos não se fazem grandes pinturas...). É das recordações mais nítidas que tenho desse período.
Não sei se desenhei muitas borboletas. Ao contrário de toda a gente, sempre achei um animal demasiado complicado para copiar, porque nunca sabia bem o tamanho da cabeça!
Uma vez, estava deitada a ler no meio da praia, num areal imenso, juntamente com mais 67456 mil pessoas, e uma borboleta veio pousar em mim. Não sei bem o que procurava, nunca me dei ao trabalho de fazer grandes pesquisas sobre borboletas, mas ficou pousada em mim durante cerca de uma página e meia.
E agora, sei que gosto de sentir borboletas a esvoaçar na minha barriga...

De 0 a 20: Quem disse que estou apaixonada? Não estou...

Sábado, Fevereiro 26

Grandes máximas

Antes estava indeciso... Agora não sei.
De 0 a 20 :)

Sexta-feira, Fevereiro 25

Musicalidades

No me olvides yo me muero
Amor mi vida es sufrimiento
Yo te quiero en mi camino
Por vos cambiaba mi destino

Ay, abrázame esta noche
Aunque no tengas ganas
Prefiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acércate a mí
Abrázame a ti por Dios
Entrégate a mis brazos.

Tengo un corazón penando
Yo sé que vos lo está escuchando
Con mil lágrimas te quiero
Pasión sos mi amor sincero

Ay, abrázame esta noche
Aunque no tengas ganas
Prefiero que me mientas
Tristes breves nuestras vidas
Acércate a mí
Abrázame a ti por Dios
Entrégate a mis brazos.

Rodrigo Leão


De 0 a 20: Era capaz de me apaixonar ao som desta música...

Quinta-feira, Fevereiro 24

Mais que mil palavras...

De 0 a 20: Estou a viver a mil à hora...

Quarta-feira, Fevereiro 23

Puro Plágio

Repito: como não adivinhamos logo, perante certas situações, a sua qualidade de únicas, de diferentes? Diferentes na sua natureza profunda, mesmo quando parecem iguais? Compromisso: permanecer atento a tudo quanto sucedem, saber distinguir naquilo que acontece o que virá (ou poderá vir) a ter futuro e não morre ali. Por exemplo: imaginei eu então que acabaria por alinhavar estas palavras, embora há muito tempo estivesse à espera dum estímulo para escrever nem sabia bem o quê (comprara em Paris um caderno quadriculado com esse ignorado destino)?

Augusto Abelaira in Nem só mas também

De 0 a 20: É engraçado como só hoje sei como foste importante para mim. *

Terça-feira, Fevereiro 22

Palavreado

Atanazar, v. tr., Apertar a carne com tenaz ardente, como se fazia ao réus de certos crimes e antigamente aos mártires; Maltratar de qualquer modo que fira ou mortifique a carne; Atormentar, afligir, torturar moralmente; Importunar, aborrecer com palavras, ditos ou pedidos insistentes; Encher os ouvidos com intrigas que aborrecem e indispõem.

De 0 a 20: Estou atanazada...

Segunda-feira, Fevereiro 21

Momentos

Você é uma formiga trabalhadora!

Não é fábula, não! Os seus objectivos são conquistados com muito suor e aplicação. Você sabe que nada cai do céu e só o trabalho enaltece o homem. A sua cabeça também não pára. O segredo é produzir o tempo todo. Ficar sem fazer nada faz-lhe mal. Esta perseverança garante uma vida material bem sucedida. Mas, para que isto aconteça, nunca deixe de trabalhar em equipa e colaborar com os outros. No formigueiro, uma mão lava a outra.
De 0 a 20: Sou uma FORMIGA! Se é que ainda havia dúvidas...

Domingo, Fevereiro 20

Na 1ª Pessoa - Desabafo

Disseste-me que sou indirecta. "Exprimes-te por metáforas..."
Fiquei a pensar nisso.
Não sou directa? Bem... Talvez não. Talvez não queira ser um vidro, transparente, quebrável. Então porque é que essa característica é tão transparente em mim?
Sendo assim uma pessoa indirecta, acho estranho que uma das coisas que mais aprecie seja a franqueza. Não que uma metáfora não possa conter toda a sinceridade possível, mas é pela sua dúbia interpretação que é mais utilizada. Numa metáfora, em diferentes contextos, podes sentir que te estou a acariciar meigamente ou a cravar as unhas profundamente. Será que é isso que quero? Que nunca saibas o que realmente digo, quero ou penso? Porque pensava que não.
Faço então a opção de deixar as metáforas de lado neste post, e dizer o que ando a tentar ocultar há algum tempo, consciente ou inconscientemente.

Cada um a seu dono...

Dói-me por dentro. Não sei o que fazer. Sinto que tenho as mãos atadas. Desculpa. Desculpa-me.
Só queria saber que continuo a ser pequenina. Não sou assim tão forte como quero parecer. O que eu queria era enroscar-me outra vez em ti e ouvir de mansinho «Oooh ooh ooh. Menino ó...».
Gosto quando ficas vulnerável ao pé de mim. FIcas como um menino pequenino a olhar para mim de olhos esbugalhados. Deixa-me tratar de ti, só um bocadinho...
Apetece-me abraçar-te por dentro. És o meu sorriso mais sincero, mais aberto, mais bonito. Todos os tempos que passamos juntos são sempre poucos e custa-me dizer-te adeus tantas vezes. Talvez seja bom assim, para sentir a doçura do regresso.
Gosto de ti. Gosto. Não sei porquê. Não quero saber. Até gosto de não poder gostar. É assim... Tolices...
Fizemos das coisas mais pequeninas as maiores do Mundo. As boas e as más. Não me recordo senão das grandes gargalhadas, das grandes temporadas, das grandes amizades.
Sabes que te vou magoar. Tu sabes... Sabes disso e mesmo assim estás. Comigo. Sempre. És de uma beleza inexplicável e sinto-me tão especial de ser uma das que a vêem. Desculpa.
Deixaste-me uma cicatriz. Feia. E sei que nem a vou esquecer nem a vou cobrar. Vai passar apenas. Não sei quando, nem quero saber.
Obrigada: pelos puxões de orelhas imaginários, pelos abraços que foram dados daquela maneira, pelas diferentes lentes em que me obrigaste a olhar a vida. Obrigada por existires também para mim.

De 0 a 20: Fui directa o suficiente?

Sábado, Fevereiro 19

Psicopatologia Compreensiva

Sobre formação de personalidade...


O conceito de conflito intrapsíquico é central do ponto de vista analítico. O comportamento é considerado como o resultado de desejos em competição e suas interdições que acabam por se exprimir através de manobras defensivas e compromissos, o que significa que todas as formas de comportamento, cognição e emoção servirão múltiplas necessidades e objectivos.
Freud escreveu em 1915 o que muitos consideram como os seus artigos mais importantes, em que expunha a metapsicologia, em particular o texto intitulado «As Pulsões e as suas Vicissitudes». Particularmente notável é a conceptualização que Freud propôs como central para a compreensão do funcionamento da personalidade.

«...a nossa vida mental como um todo é governada por três polaridades, designadamente as seguintes antíteses:
  • Sujeito (Ego) - Objecto (Mundo Externo)
  • Prazer - Dor
  • Activo - Passivo
Estas três polaridades dentro da mente estão conectadas umas com as outras de modo variado e altamente significativo.
Podemos resumir dizendo que a característica essencial das vicissitudes sofridas pelos instintos é a sua sujeição às influências das três grandes polaridades que governam a vida mental. Destas três polaridades, podemos descrever a actividade - passividade como biológica, a polaridade ego - mundo externo como real e, finalmente, prazer - dor como económica
VAR e LG
De 0 a 20: Vivemos eternamente em conflito, interno ou externo.

Sexta-feira, Fevereiro 18

Grandes máximas

Vive cada dia como se fosse o último... Alguma vez hás-de acertar.



De 0 a 20: Grande!

Quinta-feira, Fevereiro 17

Momentos

Há coisas que nos fazem sorrir.

De 0 a 20: Esta é uma delas...

Quarta-feira, Fevereiro 16

Psicopatologia Compreensiva

A «perigosidade», tal como a «não perigosidade», não é um estado permanente e imutável, inscrito de uma vez por todas na personalidade do indivíduo. Ela varia em função de múltiplos factores, internos e externos, que podem, aliás, imbricar-se uns nos outros e agir sozinhos ou em conjunto.
E a afirmação de que o indivíduo não é perigoso, jamais poderá significar que ele um dia, em certas circunstâncias não o possa vir a ser.

Michel Landry. 1976


De 0 a 20: Somos instáveis.

Terça-feira, Fevereiro 15

Spot Publicitário

Ando com uma sede inesgotável de livros. Livros não, romances.
Leio-os às dezenas, um por noite, incansavelmente, incessantemente.
E no fim de cada um, esta sede aumenta. Aumenta porquê?...

Ando afinal à procura de quê?... Do romance em mim?...

Vim aqui descobrir algumas das próximas leituras.

De 0 a 20: Qual me aconselhas tu?

Segunda-feira, Fevereiro 14

Mais que mil palavras...

De 0 a 20: Happy Valentine's.

Domingo, Fevereiro 13

Puro Plágio

Olho para o papel branco (afinal um tudo-nada pardacento) sem a angústia de que falava Gauguin (ou era Van Gogh?) ao ver-se em frente da tela, mas com apreensão, apesar de tudo. Que vou eu escrever - eu, a quem nada neste mundo obriga a escrever? Eu, antecipadamente sabedor da inutilidade das linhas que neste momento ainda não redigi, dentro de alguns minutos (de alguns anos) finalmente redigidas?
Bolor de Augusto Abelaira
De 0 a 20: Acho que sou eu que estou em branco.

Sábado, Fevereiro 12

In & Out

Fugindo à tradição...

OUT
Analisar-me, conhecer-me, enfrentar-me.

IN
Fazê-lo contigo.

De 0 a 20: Alinhas?

Sexta-feira, Fevereiro 11

Na 1ª Pessoa - Desabafo...


Sonho por tudo e por nada de Margarida Diniz

Foi assim que começou: Agridoce.


O doce da ternura, o acre da realidade.
O doce dos teus olhos, o acre da tua distância.
O doce de existir, o acre de não ser real.


É assim que o termino: Agridoce.
De 0 a 20: O teu sabor doce vai ficar sempre marcado nos meus lábios.

Quinta-feira, Fevereiro 10

Ensaios



Olho para ti. Não reparas.
Tens os olhos mais doces que eu já vi, um sorriso tímido mas sincero, umas mãos inseguras, as palavras meigas inesperadas, a incerteza nos actos e tudo o mais que não consigo traduzir.
Olhas para mim. Desvio o olhar.
Sinto-me demasiado insistente, agressiva, controladora. Só queria ser eu.
Olhamos os dois para lado nenhum.

De 0 a 20: O que ficou por dizer?

Quarta-feira, Fevereiro 9

Momentos

Uma cicatriz viciosa

é uma das distrofias dérmicas

que pertencem ao leque das

dermatoses pré-cancerosas.

De 0 a 20: Caminhamos rapidamente para a malignização.

Terça-feira, Fevereiro 8

Mais que mil palavras...


De 0 a 20: Decidi que estava na hora de deixar a minha adolescência eterna. Adeus.

Segunda-feira, Fevereiro 7

Momentos



Ninguém sai ileso de um grande amor. Ou da falta dele.

De 0 a 20: ...

Domingo, Fevereiro 6

Na 1ª Pessoa - Desabafo

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consanguinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contactos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cómoda e feliz.
Álvaro de Campos



Neste momento não sei. Não sei muita coisa. Nunca sabemos de facto.
Mas tudo o que eu não sei, e tu não me dizes, deixa-me um enorme vazio.

Não sei
se o que faço é correcto
o que poderia fazer
se sinto o que sinto ou penso sentir
como posso mudar as coisas
se quero ser assim
como é que tudo se complicou
se tudo vai voltar ao normal
como ajudar
o que pensar
NÃO SEI!

De 0 a 20: "É o imediatismo... blablabla"

Sábado, Fevereiro 5

Psicopatologia Compreensiva

Para Conrad que, tal como Kraepelin, defendia a unidade das esquizofrenias, o que está fundamentalmente em causa nesta doença é «a faculdade de transposição de um para outro sistema de referência». Esta faculdade pode ser exemplificada na percepção do movimento: «só podemos experimentar os movimentos, enquanto tais, a partir de uma imobilidade, ou seja, em referência à superfície terrestre. (...) Contudo estamos frequentemente disponíveis para mudar o ponto de referência quando, por exemplo, num comboio nos encontramos «em repouso» - tomando-nos a nós próprios como ponto de referência para o movimento dentro do comboio - e no momento seguinte em que, por uma simples olhadela através da janela, nos damos conta de estar na verdade em movimento». Outro exemplo: «Alguém chama da rua. Antes de mais somos o ponto médio do nosso mundo e pensamos que alguém nos chama, ou seja, vivemos o chamamento como dirigido em referência a nós próprios. Olhamos a seguir pela janela e informamo-nos de que o chamamento não é para nós, mas sim para o outro. Neste momento transpomo-nos para outra relação de significação. Processou-se então uma mudança no sistema de referência».
PA, JB e CR

De 0 a 20: Referências e mais referências.

Sexta-feira, Fevereiro 4

Musicalidades

Me Da Lo Mismo

Me da lo mismo si me amas o me odias
Si al encontrarnos no recuerdas ni quien soy
Sí al fin y al cabo más alla de la memoria
Nos queda algo que se llama corazón

Me da lo mismo, si te besan en la boca
O si alguien más te invita un sabado a cenar
Me da lo mismo me da igual
Ya no me importa
Por que yo se que siempre he sido tu verdad

Me da, me da lo mismo
Si llegan rosas a tu puerta cada tarde,
Sí a todos dices que en tu vida no fui nadie
Quiero decirte que eso amí me da lo mismo

Me da, me da lo mismo
Por que yo se que que muy adentro en tu memoria
Cuando estes sola y repases bien la historia
A ti cariño de mi vida, yo lo se,
No te da lo mismo

Me da lo mismo, sí te veo acompañada
Haciendo alarde de que tienes otro amor
A mi me basta con saber que siempre he sido dueño
Absoluto de tu loco corazón

No me importa, no me interesa
Saber que tu tienes otro en mi lugar
A mi lo mismo me da

Si hoy andas haciendo alarde
De que tienes otro amor
Si yo se que siempre he sido
Dueño te tu corazon

No me importa, no me interesa
Saber que tu tienes otro en mi lugar
A mi lo mismo me da

Si me amas o me odias,
Da lo mismo, me da igual
Yo se que de tu memoria
No me podras arrancar

(No me interesa, y a mi,
Me da lo mismo, lo mismo me da)

Victor Manuelle

De o a 20: Salsa Salsa Salsa!

Quinta-feira, Fevereiro 3

Puro Plágio



Não me dás tudo - e é normal que assim seja (ninguém dá tudo, neste mundo não há absolutos). Mas que devo entender pela palavra tudo?
(...)
Ao que tu não me dás chamarei X.
Ao que tu me dás, Y.
E então: X + Y = TUDO.
E então: TUDO - Y = X.
Que é esse X que tu não me dás?

Augusto Abelaira in Bolor

De 0 a 20: E porque é que não me chega o Y e hei-de querer sempre o X?

Quarta-feira, Fevereiro 2

Mais que mil palavras...



De 0 a 20: Esta é a principal razão pela qual todas vemos o ER...

Terça-feira, Fevereiro 1

Momentos

E este sorriso que não me sai da cara, gigante gigante gigante.



De 0 a 20: Por todas as razões e mais alguma...